Na reunião do dia 31/05/16, o companheiro Rodney Guazzelli trouxe um texto belíssimo para realizar o tão importante Momento Rotário.

Rodney explanou-o de forma resumida, destacando os pontos e trechos que julgou mais importantes, mas, para este canal, fez questão de enviar, na íntegra, o magnífico e emocionante texto de Jaime Ferreira do Rotary Club Lauro de Freitas, BA.

Vale a pena se deleitar!

O avanço tecnológico, em todos os segmentos da humanidade, pegou de surpresa a maioria dos seres humanos, neste século, e parece que afetou, sobremaneira, a sua identidade psicológica.

Até o século passado, o ser humano buscava atender suas necessidades através da criatividade, do exercício do relacionamento sincero, do apoio dos amigos e vizinhos, da obediência e respeito pelos mais idosos, considerados fontes de sabedoria, pelos ensinamentos escolares e, acima de tudo, pelo trabalho honesto e dignificante.

O que se observa, na atualidade, é uma equação social desequilibrada, na qual o crescimento geométrico do avanço tecnológico é inversamente proporcional ao desenvolvimento dos valores morais, dos princípios éticos, das crenças, das atitudes e do comportamento dos seres humanos. Essa situação, sem dúvidas, está produzindo um mundo cruel, desumanizado, agressivo em todos os sentidos e transformando o ser humano no seu próprio algoz.

Muito interessante é que, em função dos noticiários deprimentes, a maioria dos seres humanos comenta, reclama, queixa-­se e põe a culpa nos outros, porém, muito pouco faz para combater tal situação.

Como nos filmes de aventuras, está passando da hora de surgir o ser humano integral, o herói para encarar a coisa de frente, liderar multidões e buscar as devidas soluções, para os diversos problemas. Ocorre que esse milagre não é fácil de acontecer.

Depende, exclusivamente, de cada ser humano.

Para tanto, o primeiro passo se refere à própria transformação do ser, ou seja, a mudança ampla do modelo mental das pessoas, que implicará no auto­descobrimento, na revisão de conceitos, na busca da visão sistêmica, na compreensão da espiritualidade, na valorização da cidadania, na responsabilidade social e na preservação do nosso meio ambiente.

O autoconhecimento representa, inicialmente, reconhecer Deus como a energia infinitamente inteligente, força maior e absoluta, criador do universo e que o ser humano é parte dessa criação, portanto Deus está dentro dele e, em consequência, pode e deve conversar diariamente, com Ele. Entender que o ser humano é gregário, portanto nasce cresce e vive em comunidade e, só haverá um ambiente sadio para se viver se tomar a iniciativa da limpeza, purificação e ordenamento desse ambiente.

Também, administrar a CEIVA (ciúme, egoísmo, inveja, vaidade e arrogância), para aprender com os erros, pensar no próximo, discernir o bem do mal e impor a maturidade psicológica.
A revisão de conceitos levará o ser humano à busca permanente do verdadeiro significado da consciência idealista, da determinação para o fazer acontecer, do valor da amizade sem trocas, da importância dos valores morais, crenças e princípios éticos.

Nessa revisão, o ser humano deve ouvir sua voz interior para eliminar o individualismo exacerbado, deixar de olhar, exclusivamente, para o seu umbigo e não querer levar vantagem em tudo. A solidariedade é o alimento divino para o fortalecimento da alma.

Ainda, o ser humano deverá exercitar o sentimento da gratidão. Seria maravilhoso se a cultura japonesa, no que se refere ao agradecimento, disseminasse pelo mundo.

Na busca da visão sistêmica o ser humano deverá entender que tudo que se faz nesta terra tem um passado, um presente e um futuro.

Nada acontece por acaso e tudo que se deseja alcançar terá, obrigatoriamente, a participação de terceiros. E, tudo que se faz ou se pensa transforma­se em ondas energéticas que, a exemplo da maré, vão e voltam. Assim, a procura pela identidade cósmica, a grande expressão sistêmica, representa a própria busca pelo conhecimento, desenvolvimento espiritual e a conquista da felicidade transcendental.

Na compreensão da espiritualidade o ser humano deverá distinguir a diferença entre a religião e a religiosidade. Religião vem a ser o processo relacional de dependência entre o ser humano e os poderes religiosos. A religiosidade é a qualidade do ser humano em perceber sua própria religião; é a procura do caminho; é o cultivo da fé; é a busca da criação Divina.

A espiritualidade faz despertar no ser humano a confiança e o entusiasmo, que significa encontrar Deus dentro de si. Devotar-se à família, quer seja biológica ou social. Importar­se com tudo que acontece à sua volta. Seu lema maior é a solidariedade, ou seja, “dar de si, antes de pensar em si”. Assim, o ser humano medita, faz reflexões, busca a paz interior e se prepara para a vida eterna.

Na valorização da cidadania o ser humano, primeiramente, deverá entender o verdadeiro significado da palavra, ou seja, “o equilíbrio entre seus direitos e obrigações, que constituem a coletividade, a Nação, o Estado”.

O que se verifica é a mobilização de pessoas reivindicando seus direitos, porém sem enaltecer suas obrigações. Isso pode ser chamada de identidade mascarada. É necessário que cada cidadão construa muito ou pouco, nos diversos segmentos das políticas públicas (educação, saúde, segurança, moradia, cultura, lazer, esporte), de acordo com a sua percepção intelectual, porém sem o defectível jogo de interesse. A prática da cidadania exige a liberdade espiritual, a compreensão ampla da responsabilidade e a busca permanente do êxito da coletividade, onde a apologia pelo respeito mútuo deverá ser a constância.

Assim conquistar­-se-­á a liberdade plena no tempo, com amor e felicidade constantes.

Quanto à responsabilidade social, esse assunto deverá ser dirigido aos empresários locais que, na sua maioria, estão focados apenas em seus interesses econômicos, buscando o aumento exacerbado de suas receitas, sem pensar na contribuição voluntária para uma sociedade mais justa e perfeita. O ser humano deve menosprezar a fobia social e contribuir para a formação de uma comunidade mais competitiva, visando o sucesso social. Para tanto, a educação e a formação da mão­deobra qualificada, também é uma obrigação da classe empresarial.

Lembrar que a pessoa que você é leva muito tempo para se formar. Não são poucas as derrotas, mas o aprendizado com os erros próprios e de outros é um dos caminhos para o sucesso.
Por fim, a preservação do nosso meio ambiente tem que ser encarada como a responsabilidade maior do ser humano. Afinal de contas, a vida neste planeta depende da qualidade do tratamento dispensado para nossa velha “Gaia”.

O ser humano deve compreender as reivindicações da natureza, da mesma forma que ele reivindica seus direitos.

Lembrar que recebemos tudo da natureza, inclusive o oxigênio indispensável à vida, no entanto muito pouco fazemos em retribuição, ou melhor, muito contribuímos para a mutilação ambiental.

O ser humano deve abrir seu cérebro, coração e a força física para cuidar das plantas e dos animais, além da terra e da água, da mesma forma que faz para com as pessoas que ama. E manter sempre presente em sua memória: o plantar tem início na semeadura e se finda na colheita. E colhemos aquilo que plantamos.

Assim, com a multiplicação do ser humano integral, a humanidade começará a abolir o ódio e a selvageria humana; a julgar menos e perdoar mais; eliminar os medos e a solidão; sonhar mais, porém executar bastante; questionar, raciocinar e produzir coletivamente, em busca do sucesso compartilhado.

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